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Escritos Dispersos

"Todos começamos por ser crianças." "Com tempo, perseverança e esperança, tudo se alcança." À minha mulher e às nossas filhas.

Escritos Dispersos

"Todos começamos por ser crianças." "Com tempo, perseverança e esperança, tudo se alcança." À minha mulher e às nossas filhas.

O MITO DO CANCRO...

 

O mito do cancro arrasta consigo toda uma série de ideias preconcebidas, preconceituosas, e de reacções pouco racionais.

 

As pessoas, mesmo alguns profissionais de saúde, adoptam atitudes defensivas e manifestam embaraço quando lhes dizemos que somos doentes do foro oncológico, isto é, que temos um cancro, um tumor maligno, uma neoplasia maligna! O cancro, ainda muito associado à morte (“…tem a doença da morte”, como outro dia uma senhora me descreveu a doença que afecta o irmão, desconhecendo que falava com um doente do foro oncológico), constitui também um tabu, um constrangimento social!

 

Muitos evitam aludir ao cancro, não se atrevem a pronunciar essa palavra que interpretam como prelúdio de morte precoce e até se afastam de quem consideram que “está para morrer” [olvidando que a morte inevitavelmente a todos afectará ou parecendo acreditarem na sua hipotética imortalidade terrena ou eternidade].

 

Uma boa comunicação é fundamental. É contraproducente criar um muro de silêncio em torno do doente oncológico e da família, que só contribuiria para agravar a situação muito penosa que estão a viver.

 

Esta sociedade em que vivemos talvez ficasse mais humana se todos admitissem a possibilidade de também poderem vir a ter cancro, partilhando os medos, as dúvidas, a angústia ou a paz. O não falar – nomeadamente das especiais necessidades e preocupações do doente oncológico, uma pessoa naturalmente em sofrimento -, o esconder, o mascarar, o ignorar, o mostrar medo e temor, vão contribuir para agravar o embaraço, a ansiedade, a solidão, o choque, o desamparo, dificultando o bem-estar dos pacientes, das famílias e dos amigos.

 

O cancro de que geralmente não se gosta de falar, é por muitos considerado um acontecimento terrível e negativo que vem perturbar o curso normal do bem-estar na vida. Porém, não pode, não deve jamais ser encarado como um fracasso, como um objecto de pudor, de vergonha social, mas como uma “avaria” em reparação.

 

É que, perante os meios técnicos, o saber científico e as respostas terapêuticas hoje existentes, ter cancro não significa prelúdio de morte precoce, de mutilação, mas antes o prólogo de uma vida mais rica, mais humanizada, mais valiosa, mais perto dos vivos, com um renovado sentido!

 

Criou-se o estigma de que não devemos emocionar-nos em público, e muito menos chorarmos! Nada mais errado. Somos humanos! Choramos de alegria e tristeza! O exteriorizar do nosso sofrimento, da nossa dor, não é vergonha, não é indiscrição, mas preparação para a luta, para novas aprendizagens, para amarmos e sermos amados, preparação para olharmos a doença de frente, o início de um redobrado empenho de corpo e alma no presente e de natural confiança no futuro, querendo “caminhar” e crendo [acreditando] conseguirmos alcançar a “margem segura”!

 

Há muito a fazer quando pensamos “já não haver mais nada a fazer”, porque a vida continuará presente.

 

Dos Familiares, Amigos/Profissionais de Saúde o mais importante é estarem presentes e demonstrarem apoio incondicional, procurando manter um relacionamento normal [embora jamais menosprezando a gravidade do cancro, uma patologia muito difícil, com terapêuticas agressivas, debilitantes, mas muito eficazes], ajudando a superar a dor, o sofrimento, a preocupação, a ansiedade, a dúvida, o temor, que as doenças, nomeadamente as doenças do foro oncológico, fomentam!

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